Kathleen estava rindo da piada de um rapaz que parecia ter a mesma idade. Ele tinha cabelo castanho avermelhado, olhos cor de mel e um sorriso irônico inconfundível. Já ela era magra e alta, do mesmo tamanho dele. Tinha olhos azuis e cabelo loiro cacheado bem longo. Kathleen era de falar pouco, mas sempre tinha um sorriso no rosto.
Por um instante sentiu-se alegre de estar ali, no bar do Karl.
Karl, ela e dois amigos faziam parte de uma turma de norte-americanos que estavam morando no Brasil a dois meses. Seus amigos Jake e Amy tinham ido falar com Karl e não voltaram mais. Um brasileiro se interessou e queria lhe pagar um drink. Vendo a cena os dois decidiram não voltar. Jake era alto e magro, o cabelo levemente arrepiado e castanho claro bem cuidado. Usava uma camisa vermelha e uma calça jeans. Era gay assumido e tinha o hábito de beber exatos três drinks todos os dias enquanto estudava o português ou limpava e arrumava sua câmera. Era fotógrafo e trabalhava em eventos como casamentos e festas de formatura.
Amanda tinha o cabelo preto e olhos verde oliva. Parecia sempre animada e tinha um olhar de pessoa tranquila, embora não fosse nada paciente. Estava vestindo uma blusa verde clara e uma calça jeans também clara. Gostava de música e trabalhava em conjunto com Jake: Tinha uma banda e cantava nos casamentos e outras festas. Os dois eram melhores amigos.
Já Karl abrira um bar e era um bartender hábil, girava garrafas e fazia drinks complicados. Atraia bastante a freguesia feminina. Tinha cabelo preto, curto e era alto e forte, os músculos eram sempre bem aparentes. Morava em cima do próprio bar em conjunto com Kathleen, Amanda e Jake. Era apaixonado por Kathleen secretamente, mas tinha um jeito fechado e não era de dar bandeira sobre seus pensamentos ou desejos.
Kathleen sorriu observando o brasileiro que pedira um drink a Karl. Estavam conversando a alguns minutos embora o português da moça não fosse muito bom. Ela as vezes tinha que parar e pensar no que dizer, o português não saia nada bem. Ele ria, tentava entender e ainda ensinava algumas palavras a ela. O nome dele era Ivan e tinha a familia inteira russa, mas ele era brasileiro e falava um inglês muito bom. O que o fazia entender Kathleen bem. Trabalhava em manutenção de computadores e morava sozinho em uma rua próxima ao bar.
Jake e Amanda estavam confabulando próximos ao bartender, sentados em cadeiras ao lado do balcão. A moça sorriu e disse:
- Ela devia aprender a falar melhor o português.
- Você conhece a Kathleen, sempre vai fazer tudo na última hora. – Respondeu Jake olhando com olhar sonhador para um rapaz no outro canto do bar. – Além disso, ela parece descobrir ótimos professores.
- O que acha Karl? Perguntou Amanda bebendo um gole da sua cerveja.
- Ela parece bem. – Respondeu Karl limpando o balcão de madeira com um pano úmido sem ao menos olhar a cena.
Amanda cutucou Jake no ombro e continuou:
- Acho que talvez assim ela fique feliz com alguma coisa.
- Eu concordo Amy. Finalmente.
Os dois pareciam sérios e se entendiam de forma quase telepática. Queriam o melhor para a amiga, mas Kathleen era muito teimosa e as vezes muito fechada, embora falasse sem parar. O último relacionamento de Kathleen tinha sido um fiasco e desde então ela não se interessara por ninguém. Jake e Amanda estavam preocupados, mas sabiam que não deviam tocar no assunto. Kathleen odiava com todas as forças intromissões em sua vida.
- Queria que ela ao menos falasse mais com a gente. – Pensou Amy em voz alta.
- É o jeito dela querida, você sabe. – Respondeu Jake meio pensativo deixando de lado as amigas enquanto olhava para o rapaz que olhara antes e agora parecia estar observando-o. – Se importa? – Perguntou ele sorrindo como quem se desculpa.
- Não querido, vá se divertir. Eu tenho que dormir cedo hoje, tenho um ensaio amanhã de manhã.
- Amy, você está se vendendo nessa banda. – Falou ele rindo.
- Eu concordo. – Falou Karl que parecia ter acordado finalmente de seus pensamentos.
- Por que estão falando isso? – Perguntou sem entender.
- Porque eles estão explorando você, gatinha. – Jake disse e se levantou, foi em direção ao rapaz.
- Você acha Karl? – Perguntou desanimada.
- Acho, sua voz vale mais do que isso. – Respondeu enquanto pegava uma garrafa de vodka e preparava um drink.
- Isso é o que eu acho? – Perguntou a moça sorrindo.
- É sim. – Respondeu ele também sorrindo e entregando-lhe a bebida.
Amanda bebeu num gole só e fez uma pequena careta.
- Por conta da casa.
- Adoro quando você diz isso, sabia? – Os dois riram.
- Por que você não vem cantar no meu bar? – Karl guardou a garrafa de Vodka debaixo do balcão.
- Porque o Jake morreria de ciúme. – O bartender deu uma pequena risada e olhou para Jake que estava beijando o rapaz desconhecido.
- Você tem certeza? Ele parece se arranjar bem sozinho. – Amanda olhou e riu.
- Ele é rápido. – Falaram os dois juntos.
Kathleen estava gostando da companhia de Ivan, mas estava cansada e queria dormir.
- Eu realmente... Tenho que ir embora. – Falou com um forte sotaque.
- Já? Eu pensei que você fosse mais animada, a minha noite mal começou. – Ivan ergueu o copo e chamou Karl com o olhar, pedindo mais uma bebida.
- Eu preciso trabalhar, amanhã. – Respondeu com um sorriso tímido.
- Você não me disse no que trabalha. – Falou ele erguendo uma sobrancelha.
- Eu sou escritora. – Kathleen suspirou.
- O que escreve?
- Escrevo para uma revista pequena. Mas estou planejando escrever um livro. – Essa era um daqueles comentários que você não sabe porque fez. Daquelas mentiras pequenas que viram grandes realidades só porque é mais cômodo.
- Sobre o que? – Ivan parecia muito interessado. Karl serviu o drink que Ivan pedira e voltou ao balcão.
Tanto interesse já estava irritando-a de leve. Kathleen sorriu encabulada e continuou:
- Ainda não me decidi.
- Posso te inspirar? – Perguntou Ivan com um sorriso sacana.
- Me inspirar? Como? – Kathleen sorriu, virando sua bebida em um só gole.
- Que tal um romance? – Ivan ficou a dois centímetros de Kathleen, segurou seu rosto de leve com a mão direita e a beijou. A moça correspondeu.
Karl suspirou pensativo e serviu para si mesmo uma dose pura de Vodka. Bebeu e olhou para o próprio celular. Entrou em seu email e procurou algo interessante. Um puro e simples momento de tédio. Chegou a olhar uma propagada sobre um jogo. Karl gostava de jogos , era um dos seus passatempos preferidos.
- O que está olhando Karl? – Perguntou Amy curiosa.
- Um jogo qualquer.
- Tem algo te incomodando? – Amanda levantou-se e andou até a porta ao lado do balcão.
- Não, de onde tirou isso? – Karl fez uma cara tão fechada que Amanda não falou mais nada, apenas puxou a porta e fez um comentário:
- Você é tão parecido com a Kathy, sabia? – Karl escutou e sorriu evitando rir.
- E você pensa demais, Amanda. – Respondeu ainda sorrindo.
Amanda subiu as escadas e entrou em seu quarto. Era um cômodo pequeno, mas muito bem arrumado. As paredes eram pintadas de bordô e duas prateleiras nas paredes estavam cheias com bichinhos de pelúcia de todas as cores e tamanhos. Deitou-se na cama de casal bem arrumada e puxou seu violão com a mão direita. Tocou algumas notas, mas nada significativo. Após alguns minutos adormeceu com o violão preto em cima da barriga. Duas horas depois ela acordou com um ruído no quarto vizinho. Não sabia se tinha vindo da parede de Kathleen ou de Jake. O quarto de Amy era o segundo na ordem apartir da escada. O quarto de Jake era o primeiro, Amy o segundo, Kathleen o terceiro e Karl o quarto e último.
Meio tonta de sono ela olhou para o relógio em cima da pequena mesa de canto: 3:07 AM.
Amy colocou o violão de lado e tentou dormir de novo, mas constatou que não conseguiria depois de se virar na cama pela quinta vez. Ouviu mais um barulho, mas dessa vez um grito em seguida: Um pequeno grito de Kathleen. Levantou-se preocupada, saiu do quarto e olhou o corredor escuro. Andou até o quarto de Jake e bateu de leve, a porta se abriu quase no mesmo segundo. Jake parecia intrigado.
- Qual o problema da Kathy? – Perguntou ele passando a mão no cabelo bagunçado.
- Eu também quero saber, mas estou com medo de abrir a porta. – Amy deu um sorriso amarelo.
- É nessas horas que a gente chama...
- O super Karl. – Completou ela evitando rir.
- Vai chamar ele, vou bater na porta. – Jake andou em direção a porta de Kathy, Amanda desceu a escada e deu de cara com Karl.
- O que está havendo? – Perguntou ele com face preocupada.
- Queremos que você entre no quarto da Kathy.
- Como sempre ela vai querer me matar. – Karl não sorriu, subiu a escada para entender o que estava acontecendo.
A verdade é que Karl se preocupada muito com kathleen. E como o lugar onde moravam não era muito previlegiado as vezes aparecia uma ou outra barata. Todos morriam de medo das baratas, até mesmo Jake que chegava até a gritar. Kathleen e Karl sempre brigavam, por vários motivos como se fossem irmãos. Entrar no quarto de Kathleen parecia algo a se brigar.
Subiu as escadas e olhou pelo corredor, viu a porta do quarto dela aberto .
- O que está acontecendo?
Dane, amei! Me identifiquei com o Jake :P HUAHAUHA Esperando o 1º capitulo *-*
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