quarta-feira, 9 de março de 2011

05 - Personalidade burra


Kathleen fala...
Todos acharam que eu iria despencar, até eu mesma achei. Mas alguns minutos depois eu estava dentro do prédio.  Com um olhar desconfiado andei até a porta do que parecia um corredor. Abri devagar, olhei de um lado a outro: Era seguro.
Andei até a janela com a intenção de ajudar meus novos companheiros, apesar de querer jogar a moça aos zumbis ela foi a primeira que eu ajudei a subir. Puxei o braço com força, os músculos doloridos querendo um pouco de descanso. Por algum motivo a expressão dela era de profundo nojo. Não sei o que ela tem contra mim, mas por hora eu quero mais é que ela se foda. O segundo que ajudei a subir foi Vicente, e ele nem parecia precisar da minha ajuda. Estendi a mão, mas ele era atlético, e ágil como um felino. Luís era mais lento, tinha mais músculos e sua falta de agilidade com certeza seria compensada com força bruta.  
Com os músculos também doloridos começaram a explorar o quarto. Eu andei até o beliche que havia em um canto. Por reflexo tirei minha mochila imunda um segundo e a joguei na cama debaixo, cansada do esforço.  Olhei para Vicente e ele deu um sorriso, virei a cara mal humorada e me sentei na cama agora com o olhar acompanhando Luís. 
- Esse quarto é estranho. – Constatou Mel revirando a escrivaninha onde havia alguns papéis.
- O que quer dizer? – Perguntou Vicente curioso, agora a observando atentamente.
- Ele está intacto, faz tempo que eu não vejo nada sem estar em estado de caos iminente. – Mel deu um sorriso olhando para os olhos de Vicente, de uma forma que achei muito oferecida. Patético alguém pensar nessas coisas em momentos como esse.
- Tem razão, melhor ficarmos atentos. – Vicente agora estava olhando para Luís que tinha os braços cruzados.
- Temos que dar uma vasculhada nos outros lugares desse apartamento. Acho uma boa idéia passar a noite se for seguro. – Luís descruzou os braços e andou até a porta do corredor.
- Você vem cara? – Perguntou ele com curiosidade.
- Parece um apartamento grande, você vai para a esquerda e eu vou para a direita. – Respondeu Vicente com a curiosidade bem iluminada nos olhos pretos e brilhantes.
- Quer que eu vá? – Mel deu um sorrisinho que forçou Vicente a sorrir, mas parecia desconcertado.
- É melhor vocês duas ficarem aqui. Procurem algo útil. – O olhar negro chegou até mim, fiz uma das minhas expressões de quem comeu e não gostou e resmunguei com certa dificuldade em achar as palavras certas:
- Não faço o tipo dama indefesa, enquanto vocês olham os outros cômodos eu vou checar os corredores do prédio mesmo, talvez ache coisas verdadeiramente úteis. – Luís ergueu as sobrancelhas intrigado com a minha personalidade, mas não disse nada por alguns segundos.
- O que você vai procurar? – Mel perguntou me olhando de forma insolente.
 - Quero ver se tem como restabelecer a energia.
- Querida, esqueça! Mais da metade da cidade está sem energia e aqui não vai ser diferente porque vai se arriscar a circular por aí. – O olhar insolente dela ao falar começou a me irritar verdadeiramente. Tomei fôlego e respondi:
- É, mas vou tentar assim mesmo.  – Dei as costas e passei por Luís na porta, chegando ao corredor. Ele colocou a mão esquerda sobre o meu ombro e disse com expressão divertida:
- Até chegarmos à lagoa, nós somos um grupo com uma única função que é sobreviver. Não faça nada estúpido. Está bem?
- Não se preocupe comigo, sou chata demais para morrer por coisas triviais. – Respondi sorrindo. – Além disso, daqui a pouco vai escurecer. Temos desvantagem enorme no escuro. – Completei com um sotaque tão carregado que até eu percebi. Olhei para Vicente que me olhava com expressão muito divertida.
- O que foi? – Perguntei encarando-o.
- Você é uma mulher engraçada, só isso.
Não respondi, girei os olhos achando-o idiota e corri até a minha mochila. Tirei de dentro dela uma lanterna, tinha medo que escurecesse e ficasse escuro demais.
- Qual é mesmo seu nome? – Perguntou Luís antes que eu saísse.
- Kathleen. – Respondi analisando a lanterna e ligando-a para testar.

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