quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

02 - Pequeninas e assassinas surpresas

Kathleen acordou confusa, não sabia onde estava nem o que estava acontecendo. O quarto onde estivera dormindo sabe-se lá deus por quantas horas não lhe era nada familiar. Parecia um quarto de hotel, estava muito organizado. A loira pulou da cama, olhando ao redor via móveis de madeira belos, a mesa na sala chamou sua atenção: Apesar de tudo estar totalmente organizado os papéis que estavam em cima pareciam muito atraentes. Pegou uma folha e leu:


Senhorita Kathleen, fico contente com sua visita. Agora é que as coisas vão ficar interessantes sem o seu pequeno amigo esquentadinho. Espero que se divirta no tema dos próximos dias, eu o escolhi em sua homenagem.Tem uma mochila em cima do sofá. Você vai precisar.

Soltou o papel e em um flash se lembrou de Karl, onde será que ele estava? Estava bem? O que ele queria dizer com tema? Será que isso é algum delírio ou sonho? O acontecido da corrente era real? As perguntas não paravam de circular por sua mente.  Respirou fundo por um momento, tentando colocar a cabeça no lugar. Não teve tempo de pensar muito nas respostas, andou até a sala e encontrou a mochila descrita no bilhete: Uma mochila azul e cinza, grande e resistente. Em seu interior encontrou suprimentos e uma pequena arma, uma pistola desconhecida. Kathleen nunca se dera muito bem com armas, mas aquilo parecia promissor.  Pegou a arma e a colocou na cintura. Fuçando mais na mochila encontrou duas mudas de roupa, uma escova de dente e pasta.
- Parece até que eu vou acampar. – Pensou ela em voz alta, rindo sem entender nada.  Colocou a mochila nas costas, ainda tentando pensar. No quarto tinha que ter um telefone, queria ligar para Karl e o resto de seus amigos. Andou até uma porta pensando que podia ser outro quarto e abriu curiosa. Para a sua surpresa era a porta para uma rua movimentada.  Ouviu um barulho de vidro se quebrando. Kathleen voltou alguns passos e sua voz morreu na garganta. Cinco delas andavam passo a passo como bebês horripilantes, saindo da janela: Eram bonecas daquelas que as garotinhas costumam pedir para suas mães, feitas em borracha vestidas com vestidinhos barangos e coloridos, com olhos geralmente azuis e um pequeno tufo de cabelo na cabeça careca.  Pelo menos mais dez delas tentavam entrar, colocavam aqueles bracinhos pequenos e borrachudos por cima de um pedaço de vidro que ainda se mantinha de pé.  
As mãos de Kathleen tremiam muito, aquilo só podia ser um terrível pesadelo.  As bonecas entravam pela janela e paravam, olhando fixamente para ela. Uma delas se agachou e pegou um pedaço de vidro pontudo. As outras simplesmente viram e a imitaram. A que pegara o caco primeiro deu um sorriso de borracha, muito assustador. As bonecas que deviam fazer a alegria de garotinhas pareciam vindas do inferno, filhas da puta. – Concluiu Kathleen se afastando e olhando a porta que tinha aberto antes. Ao tocar na maçaneta os pezinhos de borracha começaram a correr seguindo-a e para sua surpresa eram terrivelmente rápidos.
Não sabia onde estava, mas o terror tomara conta dela. Bonecas assassinas, bilhetes de um maluco... Isso só podia ser um pesadelo.
Kathleen começou a correr o mais depressa que podia. Tentou encontrar um ponto de referência pra saber onde estava, mas a rua movimentada não parecia a mesma. Não haviam mais carros e nem mesmo uma única pessoa na rua. Parou um segundo confusa, onde diabos estou? – Pensou.
Péssima escolha. Uma das bonecas a alcançara e cravara sem dó seu caco de vidro na perna de Kathleen, rasgando o tecido leve de sua calça e fazendo bastante sangue cair na calçada. Mais assustada que tudo ela chutou a boneca com a perna machucada e saiu correndo sem se preocupar com a direção.
Não sei pra onde estou indo, mas com tantas “Surpresas” não é hora pra pensar nisso. Onde será que está Karl? – Pensou.

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