quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

03 - Corre!


Kathleen corria desesperada pela rua deserta, tentando não fazer barulho. Não sabia quantos dias se passaram. Talvez cerca de oito desde que estava nessa situação de matar e fugir. As ruas estavam muito destruídas e a cada dia parecia ficar pior. Por alguma razão aquele quarto misterioso ficava do outro lado da cidade que mal conhecia. Queria chegar logo até o bar do Karl, a esperança a mantinha viva. Eles tinham que estar vivos.
Logo descobrira que tinha que andar uma quantidade considerável já que os carros ligavam e rodavam sozinhos, atropelando pessoas e o que estivesse no caminho. Sem motorista, sem nada. Várias coisas a preocupavam, mesmo armada tinha medo: Não sabia atirar bem e agora tinha apenas uma bala, gastara as outras quando descobriu que os mortos se levantavam e tentavam devorá-la.  Até agora tinha encontrado tipos complicados: Zumbis, bonecas assassinas e carros diabolicamente astutos. Chegaria ao outro lado da cidade em mais dois dias se continuasse naquele ritmo. Isso a desanimava, mas era bom ter um objetivo. Saber mais ou menos para onde ir mantinha a moça viva, motivada, esperançosa.
Se eu escapar disso um dia, vou escrever um livro sobre. – Pensou quase sorrindo.
Vira dois sobreviventes pelas portas escancaradas de um supermercado abandonado. Aproximou-se com cuidado, a mochila imunda de sangue e o liquido preto (descobrira ser o sangue das bonecas) balançava furiosamente. Dois sobreviventes pegavam tudo que podiam e colocavam em sacos grandes de pano.
- A Mel tá demorando demais.  – Falou um deles jogando pacotes de biscoito dentro do saco.
- Então vai procurá-la! – Respondeu o outro homem com um sorriso irônico.
- Dane-se! Temos que ir embora logo. – O homem dos biscoitos finalmente notou Kathleen e se assustou, puxando uma arma da cintura.
O homem dos biscoitos era alto e forte, vestia uma camiseta cinza rasgada e suja, uma calça jeans surrada e tênis também acabados pelo gasto. Estavam levemente manchados de sangue. Tinha olhos castanhos e cabelo encaracolado. O rapaz mais novo do sorriso irônico estava vestindo uma camiseta parecida, mas era vermelha. Usava um short azul marinho manchado de sangue na lateral esquerda.  O cabelo era liso e preto, os olhos também pretos, mas muito brilhantes.
- Ei! Ei! Calma aí cara... Não é uma ameaça. – O rapaz de olhos negros estendeu a mão, segurando o braço do companheiro. – Além disso, vai atrair coisas desagradáveis se puxar o gatilho. – Completou olhando para a moça.
- Hã... Oi. – Falou ela confusa e curiosa, fazia tempo que não via nada além de coisas perigosas.
- Ela nem de longe é daqui... Você é do sul? – Perguntou o de olhos pretos curioso, levantando uma sobrancelha.
Kathleen riu.
- Não sou brasileira. – Respondeu com o forte sotaque.

- Meu nome é Vicente, esse aqui é o Luís. – Indicou o rapaz dos olhos pretos com um sorriso curto.
- Para de tagarelar, vocês vão atrair alguma coisa. – Luís colocou a arma na cintura novamente e deu as costas a Vicente, começando a andar até o fundo do supermercado.
- Onde você tá indo? – Perguntou Vicente erguendo novamente uma das grossas sobrancelhas.
- Eu vou buscar a Mel. Querendo ou não precisamos dela. – Respondeu o homem sem nem mesmo se virar.  

- Pra onde você está indo? – Perguntou.
- Eu estou indo para o outro lado da cidade. – Respondeu a moça forçando o cérebro para falar em português.
Vicente riu.  - Qual dos outros lados da cidade?
- Hm, eu estou indo em direção a uma Lagoa... Deve saber do que estou falando.
- Entendi.  Escute, estamos indo quase na mesma direção... Mas quando chegar a certo ponto vai pegar outra direção. Quer ir com a gente até lá? – Kathleen pensou por alguns segundos, mas não teve tempo de responder ao convite do rapaz.
- CORRE! – Luís gritou do fundo do supermercado, sua mão firme segurava a mão de uma moça mais ou menos da idade de Kathleen.

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