Karl ao entrar no quarto surpreendeu-se: Kathleen estava caída no chão. Os gritos continuaram a ser ouvidos, mas a moça estava desacordada.
- Aqui! – Gritou desesperada. – Ao olhar a fonte dos gritos, Amanda descobriu que vinham do notebook da moça, que estava sobre a mesa.
- Alguém tira essa gravação? – Karl falou incomodado. – A Kathleen precisa ir ao hospital, está gelada.
- Vou chamar uma ambulância. – Falou Amanda tirando o celular do bolso.
- Jesus, Amy!
- Eu sei Jake, meu celular sempre está comigo... Nem precisa zoar – Respondeu Amy discando o número para a ambulância. Jake riu. Karl desviou os olhos de Kathleen por um momento e deu-lhe um olhar de censura. Jake intimidando-se pelo olhar andou até o notebook da moça, não tinha nada aberto: A não ser um vídeo. Parecia filmado por uma Webcam: Filmava Kathleen, que estava presa por uma corrente no pulso e tinha o rosto bem vermelho, como ficava após chorar muito. Ergueu as sobrancelhas, curioso. Nunca tinha visto isso antes. Quando e por que esse vídeo foi gravado? Jake analisou o contador no vídeo, o que eram aqueles números abaixo e a direita? Kathleen sentou-se no chão e começou a chorar mais.
O rapaz olhou para o horário que aparecia no Notebook, sabia que Kathleen era muito metódica e a hora com certeza estaria certa. Para a sua surpresa os números do relógio do Notebook batiam exatamente com o contador no vídeo, se tratava da hora. Mas era impossível, Kathleen estava no quarto. Deu uma olhada para trás, Karl passava a mão no cabelo da moça desmaiada carinhosamente.
- Não entendo. – Falou Jake com um leve sotaque.
- Do que está falando? – Perguntou Amanda que já tinha desligado o celular.
- Isso aqui. – Jake indicou o Notebook com um aceno de cabeça. Karl levantou-se e tocou a tela com o dedo indicador, interessado e curioso. Algo estranho aconteceu: Karl olhou para a tela fixamente, deu um pequeno grito espantado e caiu no chão, pálido e desmaiado.
- Karl! – Exclamaram Amy e Jake em uníssono.
Jake olhou a tela:
Karl tinha aparecido ao lado de Kathleen como se caísse de um buraco inexistente no teto. Uma corrente no pulso direito tilintava prendendo-o ao chão.
- Mas o que está acontecendo aqui?! – Jake falou ajoelhando-se ao lado de Karl.
Amanda andou até o Notebook, curiosa e assustada.
- Não toca nessa coisa! – Jake falou tentando ser racional.
A tela ficou preta por uns segundos, como se o Notebook tivesse se desligado.
- Karl! – Kathleen o abraçou ignorando o tilintar da corrente.
- O que está acontecendo? – Perguntou confuso, sua cabeça parecia querer explodir de tanta dor.
- Não sei, eu estava fazendo umas coisas no meu Notebook e acordei aqui.
- Bem vindos. – Uma voz metálica, artificial falou com tom amigável. Kathleen e Karl se entreolharam. – Parece que eu tenho um convidado inesperado. Vocês vão descobrir que aqui nada é inesperado pra mim, só pra vocês. – Continuou. – A loira olhou para os lados, Karl não procurava a voz: Sua cabeça doía tanto que apenas queria o silêncio. Uma pessoa saiu da parede branca como se fosse um fantasma. Os dois arregalaram os olhos: Usava roupas pretas em conjunto com uma capa também preta e máscara branca. Uma máscara lisa onde só os olhos ficavam a mostra. Os olhos apesar disso não apareciam, pelos buracos só dava para ver o preto como todo o tecido.
- Esse mundo como vocês dois podem ver... É o meu mundo. Bem vindos ao meu lugar. – As mãos enluvadas se estenderam e apontaram o teto.
Karl olhou para o pulso acorrentado e uma onda de raiva percorreu todo seu corpo como uma corrente elétrica. Não sabia o que estava acontecendo, mas com certeza o maluco de capa era a causa disso.
- Você! Onde estamos? – Karl levantou-se, a corrente tilintando e limitando seus movimentos. O mascarado pareceu suspirar por baixo da máscara.
- Você é burro ou o que? Acabei de dizer, vocês estão no meu mundo. Eu tenho muita coisa pra fazer. – O mascarado deu as costas para Karl, que não podia estar mais furioso. Saiu correndo, avançando como um animal raivoso. Kathleen assustou-se: Nunca tinha visto o amigo com tamanho olhar de ódio.
A corrente fez barulho metálico, mas antes que Karl alcançasse o suposto inimigo seu pulso foi puxado com muita força, a corrente se encurtara e o fez cair no chão.
- Nãnãnã... – O mascarado fez um sinal negativo com o indicador. – Você não pode me machucar aqui, nem sequer encostar.
- Puta merda, quem raios é você?! – Gritou Kathleen quebrando o próprio silêncio.
- Eu? – O mascarado olhou para cima, como se estivesse pensando a respeito. – Eu sou... Digital.
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